Não desapegamos por muitos motivos. Porque, na correria do dia-a-dia, não temos tempo para abrir o armário, experimentar e reavaliar as roupas. Porque ainda vamos usar (mesmo?) aquela blusa dourada que ficava linda dez anos atrás. Ou porque sempre pode rolar uma festa que peça um look vintage. Ou ainda, não desapegamos porque a roupa, sapato, louça ou maquiagem (tanto faz o objeto!) custou muito dinheiro, anos ou meses atrás.

Nas nossas andanças pelos armários dos clientes, temos notado que muito do que não se consegue descartar relaciona-se com o fato de serem objetos tidos como caros. Mas o fato é que precisamos desapegar destes objetos também. E simplesmente porque há grandes chances de você estar precisando de espaço para colocar as peças que realmente quer e vai usar. E porque no final das contas, ainda que tenhamos comprado aquela bota linda há apenas duas estações, ela de modo algum vale o que pagamos, mesmo que tenha custado muito dinheiro.

Para te ajudar a avaliar – ou talvez reavaliar – as roupas, sapatos e acessórios do guarda-roupas ou qualquer outro objeto, ela sugere uma conversa com cada uma das peças:

1-   Se eu fosse comprar agora, quanto pagaria por ela?

Seja honesta. Esqueça quanto pagou e responda honestamente: tendo em vista já haver passado aquele momento de empolgação que possa ter impulsionado a compra, quanto você está disposta a pagar por este sapato preto que não é assim tão diferente dos outros que você tem? Caso você perceba que não pagaria pela peça o mesmo que realmente pagou, coloque um ponto de interrogação na possibilidade de ficar com ela.

2 - Se eu comprasse, usaria esta noite mesmo?

Roupas que amamos nos fazem querer usá-las esta noite. Não é à toa que os meninos querem sair das lojas esportivas calçando a chuteira que acabaram de comprar, certo? Mas quanto a esta peça em questão: você gostou tanto que gostaria de vesti-la hoje mesmo, para sair para jantar? Se a resposta for sim, ela fica! Do contrário, vai para a caixa de “Doação”.

3- Quanto custará cada uso desta peça, se eu seguir usando quase nunca? Sim, isso mesmo. Quanto custa cada vez que você usa a roupa em questão. Sabe como calcular? É bem simples: se você pagou R$ 300 numa blusa que é usada quase toda semana, o que daria cerca de 25-30 vezes por ano, cada uso custa em torno de R$ 10. E isso se você a usar por apenas um ano. Já uma blusa que custou R$ 200 e você usou duas vezes custou, por uso, R$ 100. Faça as contas e avalie se vale a pena manter roupas que custam muito pelo prazer que te proporcionam. Prefira ficar com peças que caiam bem, sejam lindas e façam valer o custo.

Ingrid Lisboa usou como exemplos peças de roupas, mas o raciocínio vale para qualquer item. Assim como não vale a pena ficar com roupas que usamos apenas uma vez ao ano (salvos casos bem específicos como vestido de festa junina e roupa de esquiar, por exemplo), o mesmo se aplica a louças e taças, ou a qualquer coisa. Afinal, adianta termos taças lindas, delicadas e estilosas se nunca nos presenteamos com uma mesa linda numa segunda-feira, por exemplo?

O convite dela é para desapegar, celebrar o hoje e usar bem o espaço para armazenar as coisas que representam quem você é agora! Vamos?

 

Ingrid Lisboa

Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, trabalhou 8 anos como jornalista especializada em organização de informações econômicas. Especialista em organização residencial, consultora e palestrante. Atua desde 2008 na organização de ambientes e gestão residencial para famílias e pessoas que querem mais tempo para se dedicar ao que realmente importa em suas vidas. Acredita que uma casa organizada facilita as rotinas, agiliza a limpeza e melhora a praticidade e a funcionalidade da casa.