A palavra perfume deriva do latim per fumum ; “através da fumaça”.


O início da história do perfume na humanidade, remonta há 4 mil anos da era comum, com a civilização dos egípcios. Registros em papiros e hieróglifos descobertos confirmam o uso de perfumes pela alta sociedade. Perfumavam-se valendo-se de óleos, pomadas e unguentos perfumados. Os óleos mais usuais eram retirados do açafrão, de azeitonas, das sementes de abóbora, da mirra, das sementes de gergelim, do óleo de cedro e da canela. No embalsamento de seus mortos, utilizavam óleos perfumados que eram massageados no corpo. Já se compreende nesta tradução o uso primordial dos perfumes: nos rituais religiosos para invocar ou agradar aos deuses através da fumaça da queima de ervas, que liberavam diferentes aromas agradáveis e acreditavam que desta forma suas orações seriam prontamente atendidas. Além dos propósitos místicos (nos templos e no embalsamento dos mortos), também utilizavam os perfumes na estética, onde estes tinham um relevante papel na hierarquia social.
No século XX, quando alguns sarcófagos foram abertos, parte deles ainda tinham a fragrância das especiarias, por exemplo: o corpo do imperador Ramsés V, encontrado em 1912, ainda continha resina com cânfora, mirra e óleo de junípero.
A arte da perfumaria, verdadeiramente, se desenvolveu na Grécia Antiga. O grego Teofrasto, foi o precursor ao escrever sobre os perfumes, da sua composição até a preparação, no trato dos odores. Escrever sobre esse tema foi pertinente, pois as técnicas de perfumaria eram passadas oralmente e somente para algumas pessoas, como sacerdotes e aristocratas. Teofrasto ao descrever manteve o registro escrito de alguns perfumes conhecidos na sua época por meio das suas matérias-primas.
Hipócrates, o pai da medicina, também empregava perfumes concentrados para a cura de certas enfermidades.
No entanto, foram os romanos que começaram a utilizar os perfumes na higiene pessoal em todos as camadas da sociedade. Existem muitos relatos sobre os imperadores e o uso de fragrâncias e também incensos para perfumar os ambientes. Nero já dizia que evento nenhum, principalmente as orgias, estaria completo se não tivesse perfumes. Calígula, gastava enormes quantidades de perfumes em seus banhos.
Mas foi com os romanos que o banho se tornou popular e antes de fazê-lo, a pessoa era ungida com óleo perfumado.
A propagação dos materiais aromáticos teve grande repercussão na Europa devido às incursões de Marco Polo às Índias e à China e à comercialização de ervas e especiarias.
O apoio à comercialização de materiais aromáticos se deve, também, em grande parte às grandes navegações.
No Século XVI, a demanda por perfumes, na Europa, era tão alta que eles começaram a ser produzidos, no monastério de Santa Maria della Novella, por frades dominicanos, em Florença. Os perfumes tornaram-se moda entre as famílias mais abastadas. A rainha Catarina de Médici, tinha seu grupo de perfumistas. Um deles ficou famoso no mercado de perfumes, pois começou em Grasse, sul da França, uma plantação de flores que induziu à fabricação de óleos essenciais e águas perfumadas. Era o começo da famosa indústria de perfumaria da França.
No Século XVIII, os perfumes já eram fabricados pelos farmacêuticos da época. Casas especializadas foram abertas nas principais cidades europeias e também nos Estados Unidos. Foi criada a “água de colônia”, na cidade de Colônia, na Alemanha. Primeiramente, era vendida como elixir da vida, mas ficou famosa por ter uma característica refrescante.
Em 1853, descobriu-se que alguns aldeídos alifáticos possuíam um odor muito agradável e que poderiam ser utilizados nos perfumes misturando-os com óleos essenciais naturais, resultando numa fragrância que não lembrava nenhuma flor em particular
Na segunda metade do Século XX, a perfumaria tornou-se uma ciência. Não se pode esquecer também que foi neste século que os perfumes passaram a ter uma conjunção com a moda. A cada tendência de moda que surgia, a indústria química respondia com uma nova fragrância, e várias delas marcaram época. Um exemplo é o clássico Nº5 da Chanel e suas fortes notas aldeídicas artificiais. Ele é vendido desde 1921 e continua sendo um dos produtos mais procurados desta marca no mundo.