Moda Inclusiva

Sobre o inicio e caminho da Moda Inclusiva, em 2008 a convite da Profª. Dra. Linamara Rizzo Battistella, Daniela Auler,  iniciou uma importante jornada de pesquisa junto aos pacientes da Rede Lucy Montoro de Reabilitação percebendo assim a necessidade de alinhar as funcionalidades do vestuário com beleza, tendências e principalmente com a essência e estilo das pessoas que na maioria das vezes no inicio do processo de reabilitação perdiam sua referência e não conseguiam expressar sua verdade através da forma de vestir por não encontrarem peças com modelagens que pudessem usá-las com autonomia.

 

Como consta na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006), “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual, mental ou sensorial, as quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas”. Essa definição, no entanto, foi modificada recentemente; hoje, a restrição ao modo de viver pleno tem como foco não apenas a pessoa, mas a interação dela com o meio ambiente onde vive.

 

Alinhada com essa definição surgiu o conceito da MODA INCLUSIVA também baseado no Desenho Universal, um conceito que propõe o desenvolvimento de ambientes, objetos e produtos que possam ser utilizados pelo mais amplo espectro de usuários, incluindo crianças, idosos e pessoas com restrições temporárias ou permanentes.

            Dani idealizou o Concurso Internacional de Moda Inclusiva que obteve reconhecimento internacional e teve como objetivo levar para estudantes e profissionais o pensamento sobre a temática da deficiência. A importância do evento trouxe a luz os conceitos de sustentabilidade, da autoestima e do autocuidado. À época iniciou-se um processo que estamos dando nossa contribuição para o conhecimento das nossas clientes, suas demandas, vivência nas questões de estilo, elegância e funcionalidade sobre as necessidades específicas da moda inclusiva.

O conceito de inclusão na moda implica em facilitar o cotidiano das pessoas com deficiência, propondo soluções e inovações ergonômicas, seja nas modelagens das peças ou em seu acabamento. Propõe facilitar os acessos nos ambientes onde a moda é consumida.

Trata-se de um conceito que se apresenta como uma forma de democratizar todo o processo que envolve a moda e a cadeia produtiva, não apenas uma experiência estética, mas necessária e social. No entanto, a moda inclusiva pode também ser utilizada por pessoas que, de fato, não precisem de alguma adaptação, mas que buscam maior conforto. Uma atividade ampla, voltada a todos os tipos de corpos que a indústria hoje contempla de forma bastante tímida.

É premissa resultante dos estudos realizados que os valores de uma sociedade inclusiva devem pautar os novos negócios, levando em conta a ética e a responsabilidade social para avançar na quebra de paradigmas sempre na busca de novas soluções.

Ao longo do processo dessas experiências a moda precisa trazer o reflexo da sociedade e em sua forma de se expressar. Entendeu-se também que a verdadeira inclusão vai além da valorização dos corpos mas também da conscientização das pessoas que trabalham em todos os ciclos da cadeia de produção, pensando na sustentabilidade aliada a tecnologias ancestrais e contemporâneas.

Vamos levantar juntas a bandeira de que acessibilidade acontece para todos sejam elas pessoas com deficiência, com dificuldades de movimento, grávidas e até mesmo para mulheres de salto alto.

            Com vista a essas demandas a Mon Amê desde o design à criação das suas roupas tem investido nas premissas e soluções com modelagens diferenciadas, aberturas estratégicas, evitado o uso de botões e outros fechos, melhorando a manipulação das peças e até inserindo bolsos em lugares estratégicos.                                             

Pensar simplesmente em alterar um tipo de costura pode mudar o bem-estar de uma pessoa que está sempre sentada numa cadeira de rodas e isso é fascinante.

A loja virtual Mon Amê vem não só para romper barreiras ergonômicas e arquitetônicas, mas também para democratizar o uso da mesma roupa por todas as mulheres.

Nossa missão é reforçar as pesquisas na área da Moda Inclusiva, ampliando sua comunicação para mídia em geral e buscar expandir isso para mais e mais marcas conscientes dessa necessidade.

 

 

 

Daniela Auler

É bacharel em negócios da moda pela Universidade Anhembi Morumbi, com especialização em responsabilidade social e sustentabilidade pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Idealizadora do Concurso Internacional de Moda Inclusiva e dos cursos de moda inclusiva realizados pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Co-idealizadora do MoDe (moda e design: economia, inovação e sustentabilidade), é representante do Fashion Revolution na cidade de Paraty, idealizadora da Iandê Moda Inclusiva.